
aos torcedores que invadiram o treino em São Januário ontem.
Todos estavam preocupados com o futuro do time no Brasileiro e acharam muito justo interromper o trabalho alheio, colocar o dedo na cara dos jogadores e xingá-los. Mas tudo bem, já que ofender os outros não é violência.
Devem ter pensado que essa atitude traria vários benefícios para o time. Imaginaram que pressionados, os jogadores jogarão melhor, os atacantes farão gols e a defesa não falhará mais. Ou então que o Coutinho, apenas um adolescente, amadurecerá vários anos em minutos, após ser chamado de moleque por torcedores enfurecidos. Talvez tenham presumido que alguns jogadores amarelões fingiriam contusões e ficariam de fora da partida, como o Elton (ignorando que deve haver algum motivo para Rafael Coelho, Dodô ou o desaparecido Geovane Maranhão estarem no banco). Quem sabe não tenham suposto que a imagem de um clube que permite a invasão de torcedores para intimidar os atletas seja um ótimo cartão de visitas para que jogadores consagrados e com propostas de outros times achem o Vasco uma excelente oportunidade de trabalho.
Se alguém precisava ouvir umas poucas e boas certamente não eram os jogadores, que não bateram à porta de São Januário procurando emprego (e que, aliás, nem estão fazendo corpo mole como muitos dizem). O protesto deveria ser direcionado à quem os contratou e não traz os reforços que ajudariam esse elenco render um pouco mais. Colocaram o dedo nas caras erradas: não eram os jogadores, que mal ou bem são os que podem, pelo menos imediatamente, ajudar o time a sair dessa fase; as caras certas eram a dos nossos cartolas. Esses sim estão LONGE de fazer o possível para ajudar o Vasco.
Se o protesto vai dar certo? Saberemos amanhã. Mas o que vocês acham?
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Boa parte dos leitores apoiaram a manifestação. E um dos argumentos em defesa do ato é de que não houve violência. Aparentemente, nenhum desses deve ter visto o trabalho ser contestado com veemência e agressividade (sem violência, claro) por uma turba de clientes irascíveis.
Em repartições públicas, isso que aconteceu ontem em São Januário daria cadeia.
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Como efeito colateral, a invasão do treino serviu para transbordar o copo da paciência do Rodrigo Caetano, que ameaça não voltar a trabalhar no clube. Parte da torcida também não vê nada demais nisso.
Não vê hoje. Só saberemos os efeitos que a saída da única pessoa que tenta trabalhar com competência e profissionalismo nessa gestão no futuro. Mas uma coisa é certa: ruim com ele, sem ele será certamente bem pior.
Algumas pessoas não acham que o Caetano faça um trabalho relevante no clube. Não devem saber ao certo as funções de um gerente de futebol. Me pergunto se alguém acha, sinceramente, que se as contratações estivessem a cargo do Mandarino, elas seriam melhores. Será que traríamos jogadores melhores com a mesma capacidade financeira que temos hoje? Será que o vice do clube entende mais do mercado e tem melhores contatos que o Caetano?
Isso sem falar que o Caetano não gerencia apenas o time profissional do clube. Ele cuida de todo o departamento, incluindo aí as divisões de base. É obra dele a organização de uma equipe de olheiros que vem trazendo para a base dezenas de promessas de todo o Brasil. Isso é trabalho a longo prazo, com planejamento e que se não traz resultados imediatos, pode ser uma das soluções para tirar o clube do buraco. Mesmo com o pouco tempo que teve para gerir essa área, o trabalho já trouxe resultado: Jonathan – um dos destaques dos juniores e que já está treinando entre os profissionais – por exemplo, foi contratado pelo Caetano.
(parêntese: tem gente que diz que contratar garotos de outros clubes é uma forma de “sucatear” as divisões de base. Não consigo ver o menor sentido nisso. Grandes jogadores que vieram da base vascaína vieram dessa forma, olheiros os trouxeram para terminar sua formação no Vasco. E a coisa só piora quando usam o Santos como exemplo: para quem não sabe, dois dos três garotos mais badalados da Vila vieram de fora: o André era da base da Cabofriense e o Ganso veio do Paysandu. Fecha parêntese)
Confirmando-se a saída do Rodrigo Caetano, o Vasco perde seu único lampejo de profissionalismo e eficiência na sua gestão. Alguns chegam a crucificá-lo sem saber até que ponto ele não pode fazer mais por conta da incompetência do restante da diretoria. Acreditar que qualquer coisa no clube pode ficar melhor sem o Caetano é esquecer completamente o que aconteceu quando tínhamos apenas essa diretoria no comando do futebol. Para refrescar a memória de alguns: esse tempo foi da posse do Dinamite até dezembro de 2008.
quarta-feira, 26 de maio de 2010
Parabéns…
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